sexta-feira, julho 24, 2015

Água vendida em Belém, além de não ser mineral, não é potável

MPF vai analisar estudos da UFPA sobre a água vendida em Belém

Pesquisadores anunciaram que além de não ser mineral, não é potável. Desde 2010, o MPF espera que a Justiça proíba o uso do rótulo de mineral para águas que não merecem a classificação

O Ministério Público Federal abriu inquérito civil e solicitou à Universidade Federal do Pará (UFPA) cópias do estudo divulgado pela imprensa paraense que aponta que as águas engarrafadas comercializadas no estado não seriam próprias para o consumo. De acordo com o levantamento do laboratório de hidroquímica da UFPA, as sete empresas que comercializam água engarrafada no Pará não respeitam os níveis máximos de acidez recomendados pelo Ministério da Saúde.

O procurador da República Bruno Soares Valente requisitou ao laboratório cópias do levantamento para investigar a situação das empresas e do produto. O mesmo procurador atuou na investigação, também com base em estudo da UFPA, que apontou que as águas com rótulo de mineral vendidas no Pará não merecem a classificação. Desde 2010, o MPF tenta, com base nessa investigação, obter da Justiça Federal a proibição da rotulagem enganosa da água engarrafada.

O MPF pediu uma revisão nos rótulos das águas engarrafadas vendidas no estado do Pará com a classificação de água mineral. O Departamento Nacional de Produção Mineral, responsável por classificar e aprovar os rótulos, foi acusado de descumprir o Código das Águas Minerais ao permitir que as indústrias vendam água potável como se fosse mineral.

Pela lei, a água só é mineral quando possui características físico-químicas especiais e consequente ação medicamentosa. E as marcas de água industrializadas do Pará se enquadram na classificação de água potável de mesa, sem qualquer diferencial terapêutico. Agora, com os novos dados lançados pelo levantamento da UFPA, pode-se chegar a conclusão mesmo que são danosas para o consumo humano.

O processo contra o DNPM e as empresas que vendem água mineral tramita na 5a Vara Federal em Belém. A nova investigação não tem prazo para ser encerrada e pode resultar tanto em arquivamento quanto em atuação extrajudicial (recomendações e ajustes de conduta) ou judicial (processo na Justiça Federal)
Processo nº 0017302-65.2010.4.01.3900

Procuradoria da República no Pará
Assessoria de Comunicação
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Nota do blog: Essa providência do MPF é muito importante porque, dependendo dos resultados das análises, isso pode representar um risco muito grande para a saúde dos paraenses. E Algumas das marcas sob suspeita devem ser comercializadas em Itaituba.

Eliene tem pouco tempo para cumprir promessas de campanha

A prefeita Eliene Nunes, finalmente anunciou o nome da empresa que vai fazer o serviço de restauração do prédio que durante várias décadas foi a sede do governo municipal. Infelizmente, essa iniciativa demorou tanto para ser tomada que muitos fragmentos importantes da nossa historia se perderam, mas ainda assim, esse anúncio não deixa de ser uma boa noticia para quem se preocupa com a preservação do patrimônio histórico do município.
A noticia que a maioria da população gostaria mesmo de ouvir da prefeita, nesse momento, é sobre a pavimentação das ruas da cidade, pois já estamos em pleno verão e por enquanto não há nenhuma previsão de que a prefeitura vá fazer asfalto. Aliás, esse problema das ruas tornou-se a maior frustração da população com a administração da prefeita Eliene Nunes e essa frustração acontece, principalmente entre os seus eleitores que se sentem traídos pelo não cumprimento das promessas feitas em campanha.
De certa forma, a população tem razão em alimentar esse sentimento, pois como responsável máxima pela administração municipal, a prefeita está deixando de agir em questões cruciais para, e uma dessas questões é o estado precário das ruas da cidade. Em qualquer bairro que se ande a reclamação é a mesma; todos querem ver a sua rua asfaltada e ninguém quer saber se o asfalto custa caro, ou se o preço do óleo diesel subiu. O que se ouve é a mesma coisa: que a prefeita dizia antes de assumir o poder, que o município recebe muito dinheiro...
Apanhada na mesma armadilha usada contra os seus adversários, Eliene Nunes agora tem pouco tempo de seu mandato para tentar reverter essa situação... E como todos os políticos quando estão fora do governo afirmam que o município recebe muitos recursos, caberá ao eleitor fazer a sua própria auditoria, nas urnas...
          Weliton Lima, jornalista – Comentário do telejornal Focalizando (TV Tapajoara), quinta-feira 23/07/2015

quinta-feira, julho 23, 2015

O Papão passou, mesmo perdendo

Mesmo perdendo por 2x0 para o Bahia ontem à noite, em Salvador, o Paysandu passou para a próxima fase da Copa do Brasil.

Por ter vencido a primeira partida, em Belém, por 3x0, o papão abriu uma ampla vantagem que lhe permitiu administrar o placar de ontem.

Situação no Brasil é como 'filme de terror sem fim', diz 'Financial Times'

 Jornal cita pedidos de impeachment da presidente Dilma, mas diz que saída "ainda parece improvável"  (Foto: AP)

Segundo o jornal, crises econômica e política simbolizam 'podridão crescente' no país; Dilma poderá enfrentar ' tempos mais difíceis'.


BBC - A atual situação do Brasil é comparável a um "filme de terror sem fim" devido às crises política e econômica, disse o jornal britânico Financial Times em editorial nesta quinta-feira (22).

No texto, intitulado "Recessão e corrupção: a podridão crescente no Brasil", o principal diário de economia e finanças da Grã-Bretanha diz que "incompetência, arrogância e corrupção quebraram a magia" do país, que poderá enfrentar "tempos mais difíceis."
Segundo o FT, "a maior razão" da crise enfrentada pela presidente Dilma Rousseff seria o escândalo de corrupção na Petrobras, desvendada pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Dezenas de políticos e empresários são investigados sob suspeita de participação no esquema de desvio na estatal.
"O Brasil hoje tem sido comparado a um filme de terror sem fim", diz.
Dilma foi presidente do Conselho de Administração da Petrobras entre 2003 e 2010, quando acredita-se que parte do esquema tenha sido realizado, mas nega conhecimento das irregularidades e não foi citada por delatores que cooperam com as investigações.
"Poucos acreditam que Dilma seja corrupta, mas isso não significa que ela esteja segura", diz o jornal, citando os crescentes pedidos pelo impeachment da presidente.
Há suspeita de que parte do dinheiro desviado da Petrobras possa ter sido usado no financiamento de sua campanha eleitoral.
Além disso, diz o jornal, a presidente enfrenta suspeitas sobre contas de seu governo, em manobras que ficaram conhecidas como"pedaladas fiscais."
"Cada um (dos casos) poderia ser suficiente para impeachment", diz o texto, que diz que a saída da presidente "ainda parece improvável."
'''incompetência, arrogância e corrupção quebraram a magia" do país, que poderá enfrentar 'tempos mais difíceis.'"
'Tempos mais difíceis'
O jornal cita, também, a investigação do Ministério Público sobre a suspeita de tráfico de influência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que teria ajudado a construtora Odebrecht a conseguir contratos no exterior - que também é investigada pela Lava Jato - e o rompimento do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, com o governo após ter sido citado por um delator na investigação da Petrobras.
"Até agora, políticos em Brasília tem preferido que Dilma siga no poder e assuma os problemas do país. Mas este cálculo pode mudar para tentarem salvar a própria pele", diz o jornal.
O FT escreve, no entanto, que as investigações "demonstram a força das instituições democráticas do Brasil, "um país em que os poderosos se colocam acima da lei". Como exemplo, cita a prisão de Marcelo Odebrecht, presidente da construtora.
"Dilma enfrenta três anos solitários como presidente. Brasileiros são pragmáticos, então o pior cenário de impeachment caótico deve ser evitado. Mesmo assim, os mercados começaram a precificar o risco. Pode ser que tempos mais difíceis estejam adiante do Brasil", diz.
Além das questões políticas, o jornal menciona a situação econômica do país - cujo Banco Central estima retração de mais de 1% neste ano - e elogia Dilma por ter "revertido sua fracassada 'nova matriz econômica'" do primeiro mandato.
O diário cita o aumento dos juros para combater a inflação e os esforços para conter gastos públicos, medidas "necessárias mas dolorosas" que reduziram salários, aumentaram o desemprego, afetaram a confiança de investidores e "demoliram" a popularidade da presidente para o nível mais baixo da história.

quarta-feira, julho 22, 2015

Acusados de contrabandear “Pó de China” no Pará devem continuar presos

Dois acusados de contrabandear “Pó de China”, herbicida altamente cancerígeno, sem registro no Brasil, vão continuar presos. O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) acatou parecer do Ministério Público Federal (MPF) e manteve a prisão preventiva decretada pela Justiça Federal no Pará, negando os habeas Corpus dos réus.

Os advogados argumentaram que eles possuíam residência fixa, exerciam trabalho lícito, além de não terem antecedentes criminais.

Segundo o MPF, o Código de Processo Penal dispõe que é possível a decretação da prisão preventiva quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria.

“Verifica-se ainda que se trata de prática criminosa com modus operandi complexo, que envolve possíveis autores do fato criminoso em vários estados-membros, em que se utilizam aviões particulares, empresas transportadoras, vans e veículos particulares como meio de transporte para a mercadoria, o que, por conseguinte, acarreta certo entrave para apuração detalhada dos fatos e a colheita de provas”, afirma a procuradora regional da República, Elizabeth Kobayashi.

A 4ª Turma do TRF1 seguiu o parecer do MPF e por unanimidade negou os habeas corpus, mantendo a prisão preventiva.

Fonte: Assessoria de Comunicação do MFP/PA

Fórum de Entidades reuniu em Miritituba para tratar do problema do desvio na BR 230

Local que desabou por causa do trabalho mal feito pelo 9º BEC
que deu origem ao desvio que só dá problemas
Foto: blog do Peninha
O Fórum de Entidades de Itaituba articulou uma importante reunião na noite de ontem, para tratar do problema crônico do desvio há poucos quilômetros de Miritituba, que foi feito há mais de dois anos, depois que o trabalho feito pelo 9º BEC desabou.

Participaram da reunião, representantes do DNIT, da ATAP, do distrito de Miritituba e do 9º BEC.

O presidente do Fórum de Entidades, Davi Menezes, disse que o objetivo do encontro era discutir o problema que vem causando muitos problemas, pois no tal desvio já aconteceram diversos acidentes, alguns deles com vítimas fatais. Falou que a protelação da realização dessa obra, que é pequena para o governo federal, vem causando muito desconforto para quem usada a BR 230 naquele trecho.

O Engenheiro Ygor Netto, veio como representante do Diretor Geral do DNIT– Brasília. Outro integrante do órgão, Valter Casemiro, falou que eles somente apenas fiscalizam as obras, a execução é de total responsabilidade do 9º BEC. Falou, também, que a conclusão desses serviços está prevista para o mês de agosto, no que tange à recuperação dos 25 quilômetros de Itaituba a Trairão, já havendo uma empresa fazendo todo o levantamento para o andamento.

Houve pronunciamento de representante do 9º BEC e de outros representantes, e no final ficou definido que será mantido contato com Brasília para o agendamento de uma audiência com o ministro dos transportes, Antônio Carlos Rodrigues, ocasião em que será pedido a ele uma solução definitiva para o problema do desvio de Miritituba.


Os deputados federais da região deverão ser contatados para acompanharem todo esse processo.

Sebrae/PA e CNPq abrem vagas para a cidade de Itaituba

Resultado de imagem para logo do sebraeSão ao todo 3 vagas disponíveis para a cidade no Processo Seletivo de Agente Local de Inovação (ALI). Há também vagas para as cidades de Altamira, Belém, Capanema, Castanhal, Marabá, Parauapebas e Santarém.  As inscrições vão até esta sexta-feira, 24/07.

Belém (PA), 21 de julho de 2015  O Sebrae-PA e o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) estão com as inscrições abertas para Processo Seletivo do Programa ALI – Agente Local de Inovação em diversas cidades do Estado. Uma dela é a cidade de Itaituba com 3 vagas disponíveis. As inscrições vão até esta sexta-feira, dia 24/07, e devem ser feitas pelo site da EGaion, no www.egaion.com.br – página “Seleções” – “SEBRAE-Programa ALI/PA – 01/15.

Há oportunidades também em Altamira, Belém, Capanema, Castanhal, Marabá, Parauapebas e Santarém.
O principal objetivo do programa é promover a prática continuada de ações de inovação nas Empresas de Pequeno Porte, por meio de orientação proativa, gratuita e personalizada.
Os candidatos selecionados e aprovados como orientadores receberão uma bolsa no valor de até R$ 4 mil/mês, por até 18 meses de duração.
Já os 60 aprovados como candidato a agente participarão de uma Capacitação remunerada no valor de R$ 2 mil/mês, durante 1 (um) mês. Após esse período, os 40 primeiros profissionais classificados na etapa de capacitação receberão uma bolsa, no valor de R$ 4 mil/mês, por um período de até 30 (trinta) meses. Os demais comporão o cadastro de reserva.
Para Orientador é necessário formação universitária, em diversas áreas de conhecimento conforme comunicado, concluída há, no mínimo, 6 (seis) anos e título de mestre ou doutor, além de experiência comprovada.
Já os Agentes devem ter formação universitária, em diversas áreas de conhecimento previsto em edital, concluída há, no máximo, 3 (três) anos.
→ Importante: Realizar a leitura prévia e detalhada do edital do processo seletivo, onde constam todas as informações sobre as vagas, requisitos exigidos, procedimentos para inscrição, cronograma e etapas da seleção.
→ Taxas de inscrição – A taxa é de R$30,00 para Agente e R$ 50,00 para Orientador.

Informações para Imprensa: ToddaiCOM, Assessoria de Imprensa – Patricia Toddai  (11) 3402 1765/99640 0800 – patricia@toddaicom.com.br,

De volta das rápidas férias

De volta, depois de 5 dias ausente curtindo um final de semana com a família, em Santarém, voltarei a atualizar o blog.

Até pouco tempo atrás a gente dizia que ia viajar, para avisar os amigos que continuam visitando as postagens. Atualmente, quem tem juízo sai caladinho para ver se os amigos do alheio não sabem, evitando uma indesevél visita na calada da noite.

Para se ter uma ideia de como a coisa está feita, há alguns meses encostaram um caminhão na porta da casa do médico Telmo Moreira Alves, meu prezado compadre, em Alter do Chão e simplesmente fizeram uma mudança completa. Levaram tudo, mas, tudo mesmo.

Estou de volta e, felizmente, encontrei minhas coisas em casa.


Vou postar algumas fotos da viagem, incluindo momentos de lazer no Shopping Paraíso e o retorno de Santarém.









domingo, julho 19, 2015

Diário Online - Portal de Notícias do Pará e do Mundo - Pará | Passageiros que viajam a trabalho sumiram

http://www.diarioonline.com.br/noticias/para/noticia-337608-passageiros-que-viajam-a-trabalho-sumiram.html

Luto na família Lima

O blog registra com pesar,  o falecimento do sr. Valfrmir Lima, esposo da professora Antonieta Lima.

O velório acontece na sede do Rotary Club.

Os pêsames para a família enlutada.

Fwd: Sugestão de pauta: Bolsas de estudo em Itaituba

---------- Mensagem encaminhada ----------
De: "weliton lima" <welitonlimatv@gmail.com>
Data: 15/07/2015 16:41
Assunto: Fwd: Sugestão de pauta: Bolsas de estudo em Itaituba
Para: "José Parente de sousa" <jotaparente@yahoo.com.br>
Cc: "José Parente de sousa" <jparentedesousa@gmail.com>


---------- Mensagem encaminhada ----------
De: <fabianearaujo@educamaisbrasil.com.br>
Data: 15 de julho de 2015 15:34
Assunto: Sugestão de pauta: Bolsas de estudo em Itaituba
Para: welitonlimatv@gmail.com


Bolsas de estudo para 2015.2 estão disponíveis em Itaituba

 

Estão abertas as inscrições para o Educa Mais Brasil, programa de inclusão educacional que disponibiliza bolsas de estudos de até 70% para estudantes que não têm condições de pagar o valor integral da mensalidade em instituições de ensino particulares. No Pará estão sendo ofertadas mais de 45 mil vagas para o segundo semestre de 2015, distribuídas entre instituições de ensino de 51 municípios. Em Itaituba há oportunidades para Pós-Graduação, Idiomas, Preparatório para Concursos e Cursos Profissionalizantes.

Os candidatos às vagas podem escolher entre os cursos disponíveis no site. "Ao conceder bolsas de estudo em diversas etapas do ensino, contribuímos para a capacitação de profissionais e por consequência de uma mão de obra qualificada. Esses profissionais certamente terão mais condições de colaborar para o crescimento econômico-social do país", afirma Andréia Torres, Diretora de Expansão e Relacionamento do Educa Mais Brasil.

Para conseguir o benefício, o candidato deverá acessar a página oficial do programa www.educamaisbrasil.com.br e realizar a inscrição. Mais informações podem ser adquiridas na central de atendimento: Capitais e regiões metropolitanas 4007-2020 e demais localidades 0800 724 7202.

 

 

 

 

Atenciosamente,

 

 


quinta-feira, julho 16, 2015

Informe JC da edição 201 do Jornal do Comércio

Nem Datena, nem Marcelo
Como FHC, o ex-presidente do Uruguai, José Mujica é um intelectual. E ele não tem medo de polêmica. Ano passado, no último ano de seu governo, ele assinou um decreto proibindo a exibição de programas policias sensacionalistas do tipo Cidade Alerta (Marcelo Rezende – Record) e
Brasil Urgente (José Luiz Datena – Rede Bandeirantes), entre as seis horas da manhã e dez da noite.

Redução
Para Mujica, esse tipo de programa é uma verdadeira apologia ao crime, o que motivou sua decisão. O resultado da proibição foi uma redução drástica nos crimes envolvendo, principalmente, o tráfico de drogas no Uruguai. Logo, se os números dizem isso, o ex-presidente estava certo. Mas, se alguém ousar sugerir tal medida no Brasil, imediatamente será taxado de querer tolher a liberdade de expressão; dirão que será uma tentativa de voltar aos tempos da censura e mais um monte de bobagens. Fazer apologia ao crime, pode; combater, não pode.

Marcelo Rezende
Nos anos 1980, o repórter Marcelo Rezende, à época fazendo parte do jornalismo da Rede Globo veio a Itaituba para fazer uma reportagem. O foco principal era a atividade dos pilotos da região e suas dificuldades e peripécias. Parecia ir tudo muito bem, mas, para fechar com chave de ouro, o repórter queria documentar como os pilotos faziam quando tinham que pousar ou decolar à noite.

Cilada 1
O advogado José Antunes lembrou, sábado passado, no programa O ASSUNTO É ESTE, comandando por Jota Parente, Alternativa FM, que Marcelo Rezende conversou com um piloto dos antigos, cujo nome na recordou no programa. Explicou que gostaria de fazer algumas imagens de operações noturnas, no que o aviador se prontificou para ajudá-lo. Deu-se ao trabalho de montar toda aquela logística de colocar carros nas laterais da pista de um garimpo para mostrar como funcionava. E assim foi feito.

Cilada 2
Estava tudo muito bom, até que a reportagem fosse exibida. Marcelo Rezende, quando chegou na parte de pousos e decolagens noturnos disse que aquilo era coisa de pilotos que trabalhavam para o tráfico de drogas, dando nomes a alguns pilotos da região que fariam trabalho sujo. Até o nome de uma senhora respeitada, dona Carminha, mãe de alguns pilotos (Bicu, Prego, Clinger, Quilme, Noco e Mamá, esse, in memoriam) foi citada de forma depreciativa na matéria. Claro que desde a tal reportagem, Itaituba só que ver o Marcelo Rezende pelas costas, pois ele traiu a boa fé das pessoas daqui, agindo com desonestidade.

Profissão Repórter
O pessoal do Profissão Repórter, programa comandado por Caco Barcelos, não chegou a fazer algo tão sórdido como o Marcelo Rezende, mas, deixou suas marcas na região de Novo Progresso, há duas semanas, onde produziu uma reportagem que revoltou muito o povo de lá. O problema é que quando essas equipes saem lá das centrais de jornalismo das grandes redes, - e a Globo é campeã nisso -, já vem com pacote fechado, pois o objetivo dessas reportagens é denunciar agressões ao meio ambiente, de qualquer jeito. Para eles, quem mora por aqui é cidadão de segunda classe e não precisa ser ouvido. O que interessa é a opinião deles, e ponto final e de quem paga para produzir esse material.

Discussão inócua
Toda vez que acontece uma tragédia como essa que custou a vida do jovem Rodrigo, gerente do Bradesco em Trairão, voltam as discussões pelas redes sociais sobre o que deve ser feito. Há opinião de tudo que é jeito, de gente que acha que a culpa toda é do governo, porque não investe tudo que deve na educação do povo, até quem defende que bandido bom é bandido morto.

De quem é a culpa?
O governo tem culpa, o Congresso tem culpa, a polícia tem culpa, o Judiciário tem culpa e a população tem culpa. É muito fácil apontar o dedo na direção do outro. Difícil é apontar para si, assumindo sua própria parcela de culpa. Achamos que somos um povo bom e ordeiro. Porém, uma pesquisa da ONU, de 2008, concluiu que somos um país racista, corrupto e violento.

Outra pesquisa do ano passado, também da ONU mostrou que por trás da fama de um povo bonzinho há uma nação se matando. Somos o 18º país mais violento do mundo entre quase 200 nações espalhadas pelo mundo. Esta semana, por ocasião da comemoração dos 25 anos do ECA, ficamos sabendo pelo UNICEF, que só ficamos atrás da Nigéria, no assassinato de crianças, adolescentes e jovens até os dezoito anos. Logo, está tudo errado por aqui. A começar pelo governo, até chegar a nós, o povo, pois só sabemos reclamar pelas esquinas e em mesa de bar.

SICREDI inaugura sua unidade de Itaituba em setembro

Alison Doerzbach
O SICREDI é uma cooperativa de crédito que chegou recentemente a Itaituba, cuja criação remonta ao longínquo ano de 1902, quando em 28 de dezembro foi constituída a primeira cooperativa de crédito brasileira, na localidade de Linha Imperial, município de Nova Petrópolis - Rio Grande do Sul. Provisoriamente, está funcionando em uma sala cedida pelo SIPRI, nas dependências do Parque de Exposições Hélio Gueiros, enquanto o prédio no qual vai se instalar está sendo construído na esquina da travessa Justo Chermont com a avenida Nova de Santana.
Uma cooperativa de crédito como O SICREDI é uma ferramenta importante para o desenvolvimento do lugar onde ela se instala, porque não se trata de um banco convencional, cujo objetivo primordial é o lucro a qualquer custo. Trata-se de algo bem mais elaborado no sentido de viabilizar o acesso ao crédito de maneira mais em conta, para pessoas físicas e pessoas jurídicas. Todavia, a seleção é muito mais rigorosa do que na rede bancária, pois em vez de cliente, quem tem seu cadastro aprovado no SICREDI torna-se um cooperado, devendo ser tratado pelos servidores da cooperativa como patrões.
Alison Doerzbach é o gerente do SICREDI em Itaituba. Já está exercendo suas atividades desde maio deste ano, como foi dito antes, no Parque de Exposições, cuidando da composição da equipe que vai trabalhar no atendimento ao público a partir do momento em que o prédio estiver pronto, e fazendo os atendimentos possíveis. Ele conversou com a reportagem do Jornal do Comércio.
JC – A inauguração da SICREDI está confirmada para setembro?
Alison – A parti estrutural, que é a estrutura física que a gente utiliza em cada cidade onde nos instalamos, está prevista para setembro deste ano. Mas, enquanto isso não acontece, estamos atendendo os nossos associados em nosso escritório aqui no Parque de Exposições, com abertura de cadastros e alguma coisa de crédito. O que nós não conseguimos fazer ainda é recolher numerário, receber contas...
JC – Apesar de estar longe do centro comercial, tem havido procura pelos serviços que vocês prestam?
Alison – Tem, sim. Principalmente por parte das pessoas que já conhecem a nossa marca. Itaituba é uma cidade que tem muita gente de fora, pessoas que vieram de outras cidades, as quais já conhecem a marca SICREDI, as quais tem nos procurado, assim como pessoas da cidade que tomam conhecimento do nosso trabalho tem nos visitado.
JC – Vocês tem uma expectativa de bons negócios em Itaituba?
Alison – Nossa expectativa para Itaituba é extremamente positiva. Nós fazemos uma análise detalhada do lugar onde a gente pretende abrir uma unidade, com muita antecedência. São dois ou três anos antes. Levantamos os indicadores econômicos, o perfil da população, quais são os principais meios de obtenção de renda das pessoas, quais são as fontes de riqueza da cidade, quais são seus aspectos culturais. Por tudo isso, nós concluímos que Itaituba é hoje vanguarda no oeste do Pará. Itaituba é um polo comercial, polo educacional e o projeto para instalar a cooperativa em Itaituba já ultrapassa seguramente quatro anos.
JC – Quais são as principais diferenças entre o SICREDI e as instituições bancárias convencionais, pois em um primeiro momento, por falta de informação, muita gente pensa que se trata apenas de mais um banco que está chegando a Itaituba?
Alison – Produtos e serviços de um banco convencional, com a diferença de que você é o dono do negócio. Quando você abre uma conta no SICREDI você não passa a ser simplesmente mais um cliente; você é dono, você é sócio. Isso faz uma grande diferença. Quando um cooperado entra por nossa porta giratória, o nosso colaborador que vai atende-lo sabe que quem está entrando é o dono da empresa na qual ele trabalha. Então, desde o associado que tem R$ 40,00 ou R$ 50,00 na conta, até aquele que possa ter milhões de reais na conta, tem direito de votar no presidente do SICREDI. Aquilo que o SICREDI gera de resultados no final de um ano – ano passado ultrapassou R$ 1 bilhão de lucro, que a gente trata no caso de resultado positivo, como sobra – é devolvido ao associado.
Qual é outra instituição financeira faz isso? Qual é outra instituição financeira devolve dinheiro ao seu correntista? Esse é um grande diferencial. Especificamente em questão tributária, uma cooperativa não tem o mesmo custo do IOF convencional. Você já começa economizando três por cento em uma operação de crédito comercial. Numa operação de R$ 100 mil, você já começa economizando R$ 3 mil.
JC – A seleção para quem deseja ser associado do SICREDI é bem mais rigorosa do que para alguém que abre uma conta bancária normal?
Alison – A questão de abertura de conta é comum para todas as instituições financeiras. CPF, RG, comprovante de endereço, comprovante de renda; é o básico que todos cobram. Agora, para o SICREDI, especificamente falando, e aí eu falo em meu nome e em nome dos nossos colabores aqui de Itaituba, conhecer essa pessoa é muito importante. Queremos saber quem ela é. Quando a gente fala que o associado e dono do negócio, a gente leva isso muito a sério. Nós não podemos ter relacionamento com uma pessoa de má índole, que tenha problemas com a Justiça, etc... Nós não vamos comprometer mais de três milhões que fazem parte do SICREDI, hoje, por causa de duas ou três pessoas. É o princípio da sustentabilidade.
JC – Em função das exigências, o nível de inadimplência é baixo?
Alison – Sim, isso reduz bastante o índice de inadimplência. Para se ter uma ideia, o nível de inadimplência em créditos, de um modo geral, não ultrapassa 1%. Isso é muito satisfatório. Nossa carteira de consórcios, por exemplo, tem um nível de desistência muito baixo. Em sua grande maioria, os nossos associados conseguem honrar os compromissos.
JC – Com todos esses cuidados e exigências, o SICREDI tem também um baixo histórico de fechamento de agências nos municípios onde se instala?
Alison – No SICREDI não existe histórico de fechar unidades nas praças onde se instala. Em muitas cidades, como no estado do Mato Grosso, onde a instituição é mais forte aqui nesta parte do Brasil, em 14 cidades o SICREDI é a única instituição financeira. Outro fator importante é que priorizamos a utilização da mão de obra local. Aqui em Itaituba, 80% dos colaboradores que estão sendo preparados para trabalhar com a gente são daqui do município. Inicialmente serão dez pessoas. Essas pessoas já foram contratadas e já estão treinando, algumas no Mato Grosso e outras em outros estados.
JC – Numa primeira conversa, você disse que há muitos municípios nos quais de cada três reais que circulam no comércio, um passa pelo SICREDI...
Alison – No Mato Grosso, onde o SICREDI está há muito mais tempo do que no Pará, a cada três reais, um passa pelos cofres do SICREDI. Isso ocorre em todo o estado. Se for excluída a capital Cuiabá, Várzea Grande e os municípios da baixada cuiabana, metade do dinheiro que circula dentro do estado de Mato Grosso passa pelos cofres do SICREDI. Aqui no Pará, na região sul do estado, como Redenção, a presença da nossa instituição tem mais de dez anos e é muito forte. Isso mostra a nossa solidez. É importante ressaltar, que embora tenha nascido no Rio Grande do Sul em 1902, atualmente, os três estados que apresentam os melhores resultados financeiros, que dão mais lucro para o SICREDI são Mato Grosso, Pará e Rondônia.
JC – Aqui nesta região, quais são os projetos de expansão do SICREDI?
Alison – Já estamos instalados em Santarém, Novo Progresso e Castelo dos Sonhos. Nossas unidades de Itaituba, Rurópolis e Altamira serão inauguradas em breve (em Itaituba já funciona em endereço provisório) e temos projeto de expandir os nossos serviços para outros municípios do eixo das rodovias Transamazônica e Santarém-Cuiabá.
JC – Na Europa, sobretudo nos países mais desenvolvidos, como Alemanha, Inglaterra, França e de modo especial nos países nórdicos – Noruega, Suécia, Dinamarca e Finlândia – o cooperativismo é muito forte. No Brasil está evoluindo a consciência da importância de ser cooperado?

Alison – A gente vê que sim. O brasileiro vem tomando consciência disso. Todo o lucro gerado por uma cooperativa, circula no município, diferentemente do que ocorre com os bancos tradicionais, nos quais os lucros vão para a matriz, que pode estar em países bem distantes. E o SICREDI é a maior prova disso, pois uma cooperativa que começou lá nos idos de 1902, em Nova Petrópolis, no interior do Rio Grande do Sul, com apenas 30 associados, e hoje conta com mais de três milhões de sócios, com mais de 1.100 pontos de atendimento em todo o país, isso é motivo de alegria e uma prova de que o cooperativismo dá certo no Brasil. 

MEC quer estudantes falando errado

           Marilene Parente - Há duas semanas, o Ministério da Educação distribuiu cerca de 500 mil livros didáticos nas escolas públicas brasileiras, patrocinando mais uma ação atrapalhada e estúpida, fazendo a gente lembrar daquele velho ditado que diz, que muito ajuda, quem não atrapalha.  Pois o governo, além de não ajudar, ainda atrapalha quando, unilateralmente, sem qualquer tipo de discussão com a sociedade, muito menos, com os outros países de língua Portuguesa, tenta mudar o modo de se falar o Certo e o Errado.
            O governo trapalhão, que tentou há pouco impor a tal da ideologia de gênero, que foi rejeitada em quase todo o Brasil, agora aparece querendo que as escolas públicas trabalhem junto aos estudantes, para praticarem o politicamente correto; em vez de falarem que uma determinada coisa, ou certas atitudes de pessoas que na prática são certas ou erradas, que seja dito, adequado, ou inadequado.
            Como o governo não tem autoridade para impor essa estupidez como parte intrínseca da língua portuguesa, ressalta que a norma culta, aquela que é exigida no correto modo de falar e escrever o nosso idioma, continuará sendo a resultante dos acordos dos países que falam Português, porque somente através de acordos entre as maiores autoridades do nosso vernáculo podem ocorrer mudanças.
            A propósito dessa recomendação estapafúrdia, o jornalista Alexandre Garcia fez um comentário em um dos telejornais da Rede Globo, muito bem elaborado e que condiz com o que penso a respeito do assunto.
            Quando a gente estava no primeiro ano do grupo escolar, a professora nos corrigia sempre que falávamos errado, porque ela estava nos preparando para vencer na vida. É notório que o conhecimento dos eleitores, dos contribuintes, dos homens que tocam a indústria, torna as pessoas conscientes e é isso que faz o país crescer, lembra Alexandre.
            O conhecimento não cai do Céu. Ele vem através da educação que recebemos em casa, na escola e na vida. A raiz de tudo, diz Alexandre Garcia, está na capacidade que temos de nos comunicarmos de maneira simples. E a linguagem escrita, aquela que nos permite registrar tudo é uma das coisas que nos diferenciam dos outros animais.
            A educação liberta e torna a vida melhor porque nos livra da ignorância, que condena a uma vida difícil. Quem for nivelado por baixo no que tange a educação, terá a vida mais dura, porque ela será nivelada por baixo. Pois não é, como disse Alexandre Garcia, que esse livro que o governo mandou para as escolas públicas, chama-se Por Uma Vida Melhor! É ou não é uma ironia?
            Se fosse apenas uma polêmica, prossegue o articulista, o problema seria de menor importância, mas, se trata de um livro distribuído pelo governo federal para cerca de meio milhão de estudantes fazendo parte do currículo escolar. É abonado pelo Ministério da Educação, que na moda do politicamente correto, defende o falar errado para evitar o preconceito não se sabe ao que.
            Gosto de conversar com pessoas mais velhas, que fizeram o curso primário na década de 1960, antes que a ditadura militar começasse a desmontar o velho jeito de ensinar, a guisa de a Educação entrar na modernidade. Aquele jeito velho, considerado obsoleto, fazia com que os alunos estudassem tabuada, lessem na frente de todos os colegas, aprendessem as quatro operações da Matemática e fizessem redações. Em suma, o jeito ultrapassado fazia o aluno sair da quinta série primária, sabendo ler e escrever corretamente, coisa que infelizmente só uma pequena parte dos que terminam o Ensino Médio o fazem nos dias de hoje.
            Em vez de o Brasil seguir o bom exemplo dos tigres asiáticos, dos quais quem mais se destacou foi a Coreia do Sul, bem como de outros países onde a Educação é levada a sério, como os países nórdicos, fica querendo implantar o velho e esse sim, ultrapassado e falido modelo dos países comunistas.
                Meu filho de sete anos estuda em escola particular, mas, mesmo que ele estudasse em escola pública, eu continuaria ensinando a ele, que certo é o mesmo que correto, verdadeiro. enquanto errado é o mesmo que incorreto, algo que não está certo. Já, adequado quer dizer, o que é bom para determinado efeito, lugar ou objetivo, e inadequado significa, que não é bom ou impróprio para determinado efeito, lugar ou objetivo. Quer dizer, além de todas as lambanças na política e na economia, esse governo ainda quer ensinar os nossos estudantes a falar errado a língua pátria. Assim já é demais! Assim, a Pátria Educadora, slogan desse segundo governo da Dilma, não aguenta. Ou seria mais correto dizer, Pátria Desecudadora?

Na edição 201 do Jornal do Comércio, circulando hoje

Forlândia, uma história que vai desaparecendo com o tempo


O que ficou da colonização norte-americana em Fordlândia, aos poucos está desaparecendo. Os imponentes casarões já estão quase todos destruídos pela ação do tempo e dos vândalos.
O projeto de Henry Ford foi abandonado por volta de 1945 e  todos os imóveis construídos pelos americanos passaram para a responsabilidade do governo federal, e como ao longo de todos esses anos nunca foi feito nenhum tipo de manutenção, os prédios viraram ruínas.
A caixa d'água é o único símbolo daquela época que ainda resiste à ação do tempo e continua servindo aos moradores da comunidade.  As casas da vila americana construídas para os administradores do projeto, estão sendo ocupadas por pessoas, que desconhecendo o valor cultural dos imóveis, não tem nenhum compromisso com a preservação  desse patrimônio que poderia ser utilizado pela administração do município em benefícios da comunidade.
O problema é que por questões burocráticas, a comunidade de Fordlândia ainda é considerada área rural. Em razão disso, os imóveis do projeto de Henry Ford continuam sob a responsabilidade do Ministério da Agricultura.   
Os moradores da Vila também se queixam dessa situação, pois como área rural, a população de Fordlândia se beneficia apenas da  tarifa de energia, mas não conta com nenhum outro serviço do governo federal.
A comunidade não possui unidade básica de saúde e nem agência dos Correios. Até a manutenção da rede de energia elétrica depende da ida do pessoal das prestadoras de serviço da Celpa, de Itaituba, o que significa vários dias sem energia elétrica em algumas ocasiões.
Mesmo com esse quadro de abandono,  a vila de Fordlândia ainda recebe muitos turistas que visitam a comunidade, atraídos por sua história.
Texto: Weliton Lima

Fotos: Arlyson Souza

Na edição 201 do Jornal do Comércio, circulando hoje

É preciso discutir o problemas das drogas de frente

           Jota Parente - Um dos assuntos mais polêmicos dos últimos anos é a defesa da descriminalização do uso de drogas, que tem sido tratado com extrema ortodoxia em muitos países que enfrentam situações muito graves, dado o crescente número de dependentes químicos. O secretário de segurança do estado do Rio de Janeiro, que está no cargo há muitos anos, está convencido de que isso tem que ser discutido a sério, logo.
            Ele afirmou semana passada, durante uma viagem que fez a Portugal e França, onde proferiu palestras sobre sua experiência, que a guerra contra as drogas, definitivamente, está perdida. Disse que no Brasil, não pode passar desse governo a descriminalização do uso.
Beltrame ficou impressionado com os resultados obtidos em Portugal após a descriminalização de todas as drogas, inclusive heroína, cocaína. O programa começou em 2000. No Brasil, não pode passar deste governo a descriminalização do uso, afirmou ele. A guerra à droga é perdida, irracional. Podemos começar pela maconha, disse ele, que convidou os portugueses para vir ao Brasil na Semana do Policial, em novembro, e contar a experiência de seu país.
Em Portugal, o assunto “drogas” não está inserido na polícia, mas no Ministério da Saúde. Com a ajuda de juízes, procuradores, psicólogos, médicos, e integrantes da sociedade civil. A polícia pega o usuário e ele é convidado a participar de encontros. São 90 clínicas em Portugal, completas com toda a assistência, voluntários e visitas. E uma comissão fiscaliza isso. Todos se juntaram para combater essa doença, porque o vício é uma enfermidade, e não um crime. Sem vaidade, sem luta de poder.
Por acaso, você conhece alguém, que algum dia tenha deixado de consumir a droga desejada, somente porque é proibida no Brasil? Acho que ninguém conhece, porque quando uma pessoa se torna um dependente químico, ela vai procurar o produto que satisfaça o seu desejo incontrolável de “fazer uma viagem”, seja onde for.
Nenhum país do mundo gasta tanto dinheiro no combate às drogas como os Estados Unidos. Não há na face da terra quem faça um combate tão feroz quanto os norte-americanos. E qual tem sido o resultado dessa guerra? O aumento do tráfico, o enriquecimento dos carteis mexicanos e o surgimento cada vez em maior número, de grupos internos que vivem do comércio das drogas. E sabem por quê? Porque existe demanda no mercado, há poder aquisitivo que atrai mais e mais traficantes a correr o risco de parar atrás das grades, pois onde há dinheiro “fácil”, há atração forte em busca dele.
Quando eu era adolescente, na década de 1960, a única droga da qual se falava na minha cidade era a maconha, e os maconheiros eram quase todos conhecidos por seus nomes, pois não havia proliferação do uso da cannabis sativa. Remotamente, ouvia-se falar no uso de uma ou outra droga legal vendida nas farmácias.
Eu tive sérios problemas com uma droga legal, o álcool. Algumas pessoas para as quais falo disso ficam espantadas, porque quando cheguei a Itaituba em 1988, já não bebia há oito anos. Mas, foi duro vencer a dependência. Todavia, nunca experimentei outras substâncias tóxicas. Pelo contrário! Fazia apologia contra o uso de drogas em geral.
A maneira que encontrei de praticar a prevenção entre os meus três filhos mais velhos foi falando do problema, de frente, sem esconder nada, inclusive, minha experiência mal fadada com o álcool. Ingo, Glenda e Raoni cresceram sabendo que seu pai havia enfrentado uma batalha árdua até chegar à sobriedade em relação ao álcool; cresceram ouvindo o pai mostrar em todos os detalhes através de informações consistentes, a desgraça que as drogas causam na vida das pessoas. A mesma coisa já estou fazendo com o Parentinho, do qual não escondo nada sobre esse polêmico tema.

A gente vai vivendo e aprendendo, e muitas vezes mudando alguns conceitos. No meu caso, confesso que não faz tempo que comecei a pensar sobre essa questão da descriminalização do uso de drogas, porque do mesmo modo que o secretário José Beltrame, também entendo que a guerra contra elas está perdida. Não que eu defenda que se possa colocar uma banquinha na esquina de casa para vender maconha, cocaína, crack, etc... Todavia, tanto o governo quanto a sociedade precisam discutir o assunto sem reservas, enquanto que no seio das famílias, a única coisa que se pode fazer é preparar os nossos filhos para se desviar desse monstro que destrói a vida dos seres humanos que se envolvem com ele, destruindo inclusive as famílias. O resto é conversa fiada. 

Artigo da edição 201 do Jornal do Comércio, circulando hoje

Como Roselito, Eliene pode ressurgir da cinzas

         Jota Parente -    No segundo semestre de 2007, quando ainda atravessava um inferno astral terrível em sua carreira política, amargando índices de rejeição que só Benigno Regis e Edilson Botelho haviam experimentado antes, Roselito Soares deu o pulo do gato e virou o jogo. Para chegar lá, o então prefeito jogou bem com as cartas que tinha, as quais estavam em mãos adversárias.
            Houve momentos do seu governo em que Roselito era vaiado até quando passado perto de garotos que estivessem jogando bola. Ninguém queria saber de tê-lo como aliado naqueles momentos de agonia política. Mas, é nos momentos de dificuldade que se separam os vencedores dos derrotados por vocação, pois enquanto os primeiros não se acomodam, buscando soluções para os seus problemas, os segundos conformam-se com a própria sorte, achando que é tudo obra do destino, que é a vontade de Deus, e assim aceitam a derrota por antecipação.
            Dado o grau de amizade que nos une, eu e o empresário Wilmar Freire costumamos conversar bastante amiúde sobre muita coisa, fazendo consultas mútuas a respeito de assuntos que por ventura suscitem alguma dúvida. Foi por esse motivo que no começo do segundo semestre de 2007 ele me chamou para ouvir minha opinião a respeito de uma proposta que o então prefeito Roselito Soares havia feito para celebrar contratos de publicidade da prefeitura com as TVs Tapajoara e Eldorado e com a Rádio Itaituba, hoje, Rádio Tapajoara. O objetivo oficial seria publicidade institucional.
            Roselito queria espaço à vontade para fazer sua propaganda. Ele não estava interessado em fazer apenas chamadas institucionais dos atos do governo municipal. Seu projeto passava pela necessidade de reerguer seu nome junto aos eleitores, o qual estava rés ao chão. E sabendo-se como ele age, não precisava de muito esforço para se chegar à conclusão de que ele usaria muito, mas, muito bem o espaço que conseguisse abrir.
            Depois de ouvir as cifras que envolviam a proposta, disse ao Wilmar, que do ponto de vista de empresário, ele não poderia abrir mão de uma entrada mensal como aquela no caixa de suas empresas de comunicação, pois o momento não era dos mais fáceis na economia local. Entretanto, como presidente do PMDB, ele nunca poderia autorizar a assinatura de tais contratos, pois se o fizesse, podia ter certeza que Roselito Soares utilizaria com maestria os holofotes das câmeras das TVs e os microfones da Rádio Itaituba.
            O lado do empresário falou mais alto, e Wilmar deu sinal verde para que fossem assinados contratos de suas emissoras com a prefeitura. E o que se viu depois está escrito em artigo assinado por mim do Jornal do Comércio, na edição que circulou no dia 7 de outubro de 2008, dia em que parti para a primeira expedição de moto. O título do artigo é: Roselito ressurgiu das cinzas, com a ajuda do PMDB.
            Estou contando toda essa história para refrescar a memória das pessoas que se envolvem direta ou indiretamente nas contendas políticas, pois a paixão que norteia essa atividade, costuma embotar, tanto a memória, quanto o raciocínio lógico de grande parte, conquanto o coração, na maioria das vezes, fala mais alto do que a razão.
            Já faz tempo que a prefeita Eliene Nunes é dada como morta e enterrada para a política. Nunca mais vai conseguir eleger-se nem como presidente de quarteirão, dizem os mais apaixonados, contrários a ela. Não tem jeito, afirmam outros, a mulher está no fundo do poço, e não há corda suficiente para puxá-la de volta.
            Hoje, tudo isso faz muito sentido. Se houvesse uma eleição para prefeito, neste momento, ela não teria a mais remota chance de se reeleger. Já o ex-prefeito Valmir Climaco poderia encomendar um terno novo, pois ninguém tiraria dele a vitória. Acontece que a eleição não vai acontecer hoje, mas, somente daqui a dezesseis meses. A partir da data de publicação desta edição, estarão faltando 445 dias para a eleição para prefeito municipal. É muito tempo a se percorrer até lá, tempo suficiente para Eliene confirmar que é mesmo uma grande decepção como liderança política que não vingou, ou para virar o jogo.
            Não tem sido poucos os erros da prefeita. Em relação ao que tange à política, então, os desacertos se sucedem. Mesmo alguns assessores próximos da gestora, em conversas reservadas admitem que é preciso mudar muita coisa para reverter o quadro desfavorável. E as mudanças não se restringem apenas às questões de ordem administrativa. Elas passagem pelo comportamento de Eliene, que desde que assumiu o governo, parece querer reinventar a roda com seu “novo modo de fazer política”.
Roselito Soares não deve ser apontado como o único responsável pela eleição dela, mas, a participação direta dele, Eliene nunca teria sentado na cadeira de prefeita. E ele foi o aliado de primeira hora, que convenceu o ex-vereador César Aguiar a desistir de concorrer à prefeitura, para apoiá-la. César só desistiu por causa da boa conversa de Roselito.
César Aguiar seria a terceira força da campanha. Pelos números do momento em que desistiu, ele teria chance de obter, entre e quatro e seis mil votos. Certamente, a maioria dos sufrágios que ele obteria, viria de eleitores alinhados com a proposta política de Roselito. Logo, ele tiraria muito mais votos de Eliene, do que do então prefeito Valmir Climaco. Por isso, fica mais do que evidente a importância fundamental de Roselito na eleição de 2010.
Mas, não foi somente Roselito que Eliene escorraçou do grupo que a elegeu. Muitos outros estão por aí, como é o caso do empresário Ivan D’Almeida e do empresário Paulo Gilson Pontes, que hoje pilotam seus próprios projetos, visando a chegar ao poder ano que vem na condição de chefe do poder Executivo. O próprio César Aguiar, que antes da posse falava “vamos governar juntos”, na esperança de que as promessas de campanha de um governo participativo fossem cumpridas, abandonou a nau após constatar que era um Chefe de Gabinete que tinha tanto poder quanto um pinguim de geladeira. E nesse tempo todo, ela não conseguiu nenhuma adesão significativa que pudesse sacudir os meios políticos.
Por falta de habilidade política dela e pela ausência de um articulador capaz de aglutinar, o governo desconstruiu sua maioria folgada na Câmara Municipal. Faltou seguir o elementar princípio que deve existir em qualquer lugar ou atividade, que diz, é conversando que a gente se entende. Em função de não querer dialogar foi que nasceu e cresceu a CPI que tem tudo para dar muita dor de cabeça para esse governo. No momento, o Poder Executivo não tem condições de aprovar nenhuma matéria que precise de dois terços dos votos, caso não seja um projeto de real interesse do município. Mesmo votações por maioria simples estão complicadas.
Apesar de tudo que escrevi, na contramão do que pensa muita gente, eu não considero que a prefeita Eliene Nunes possa ser considerada totalmente fora do jogo. Muito pelo contrário, acho que depende dela e das circunstâncias, uma reviravolta nessa situação. Em virtude das grandes dificuldades porque passam governo do estado e governo federal, com caixas apertadíssimos, não vai ser fácil para ela arrancar dinheiro de Belém e de Brasília para transformar a cidade em um canteiro de obras. E em Itaituba, quando se fala em obras, a primeira coisa que vem à cabeça é pavimentação asfáltica de ruas, muitas ruas.
Se neste verão ela conseguir recursos para manter a cidade trafegável, pelo menos nas principais artérias, asfaltando uma ou outra rua e travessa, e sobretudo, se a partir de abril do ano que vem, a Eliene tiver recurso para colocar máquinas nas ruas, pavimentando ruas, esse quadro de desgaste que é terrível nos dias de hoje, poderá mudar drasticamente para melhor, pois é assim que as coisas acontecem na política em Itaituba. O humor do eleitor itaitubense é muito volúvel. Porém, se os cofres dos governos estadual e federal não se abrirem, vai ficar mais complicado.

Morta e enterrada para a política não dá para afirmar, mas, a carreira política da prefeita Eliene Nunes está hoje na UTI. Sair dessa situação dependerá de muito jogo de cintura, e não bastará apenas acreditar que o carisma que Eliene esbanjou na campanha de 2012 vai resolver o problema, porque não vai. Apensas inaugurar obras feitas em parceria com o governo federal também não será a solução mágica, pois os dividendos políticos dessa tática estão sendo bem mais modestos do que ela esperava. Será preciso um conjunto de medidas, que passam tanto pela administração do município, quanto nas atitudes políticas para mudar esse jogo. O tempo joga contra ela, e o relógio não para. 

Na edição 201 do Jornal do Comércio, circulando hoje